domingo, 23 de março de 2014

AS VAGAS HUMANAS!

Pelo menos dois exemplos a História nos dá, da vitória de vagas humanas a soldo da morte heróica. No cerco de Stalingrado, Stalin fez um emocionado chamado a todas as repúblicas soviéticas a mandarem homens, todos os homens possíveis, para deter  Hitler. Kruschev capitaneou essa epopeia, conseguindo que milhões de tártaros, cazaques, eslavos, uzbeques, turcormenistãos etc., acorressem às margens do Volvo. Cada par de combatentes recebia um mosquete e cinco cartuchos. Quando um morria o outro assumia e assim por diante. Cada combatente jurava ali mesmo lealdade ao Exército Vermelho, recebia sua patente conforme suas habilidade e nível de educação formal e partia com a meta de matar, pelo menos, um alemão por dupla. Morriam cerca de três mil desses bravos por dia. Mas as vagas humanas detiveram, fizeram retroceder e contra-atacaram a maior máquina de guerra que o mundo jamais havia concebido antes. Quando caiu o Xá Reza Pahlevi, no Irã, os Estados Unidos sabiam que viria o Aiatolá Khomeini para se instalar no poder e ali seria instaurada uma grande república islâmica de inspiração xiita. Algo que movia urticária na inteligência americana. A solução rápida pensada pelos gênios do Pentágono, com a assessoria dos sábios da CIA, foi financiar e armar a ditadura sunita de Saddan Husein, que aproveitaria a balbúrdia da Guarda Revolucionária iraniana, a qual acabara de desmontar e substituir, estapafurdiamente, a máquina azeitada do Xá pró América, para tentar uma vitória rápida. Inclusive o governo americano deu sobrevida à ditadura brasileira incentivando a produção em massa de armamentos modernos, com mercado absolutamente garantido, através das estatais ENGESA e IMBEL que criaram os urutus e cascavéis da vida, mísseis convencionais de curto e médio alcance, foguetes e veículos de transporte rápido além de armas leves. Foi uma festa! E as forças iraquianas tiveram vitórias aos borbotões jogando o que parecia ser um monte de covardes, em recuo desordenado até os poços iranianos de petróleo e o Golfo Pérsico. Já se cantava vitória e Saddan aparecia na mídia americana como o mais importante aliado norte-americano do pós guerra. De repente, como vindas do nada, as imensas vagas humanas convocadas pela reencarnação de Alá (Khomeini era assim considerado, quase como um deus vivo do tipo Imperador do Japão), uma renovada Guarda Revolucionária veio desbaratando o quê encontrava pela frente, a um custo incalculável de vidas humanas, exatamente como acontecera nas bordas de Stalingrado. O resto da história você conhece. Os Estados Unidos lideraram um rapidíssimo cessar-fogo, que viraria uma paz formal, para evitar que o Iraque de maioria xiita fosse anexado aos seus irmãos iranianos. Foi a maior criação de cobra venenosa pra picar seu dono, na história recente americana. Quanto à Engesa e a Imbel, sem mercado, viram suas modernas armas se transformarem nas peças de museu que hoje compõem o arsenal de nossas Forças Armadas e quebraram. Simples assim!

quarta-feira, 19 de março de 2014

AS TRÊS FACES DE UM CAMALEÃO!

A Rússia é imperialista desde o ventre de sua mãe, não fosse ela chamada a mãe-Rússia por seus nacionais. Em breve cronologia, esse espírito começou a ser materializado por Pedro I, O Grande, conquistando a Polônia, a Finlândia, a Livônia, a Estônia, mantendo forte influência militar sobre a Suécia e a Prússia. Só foi detido ppelos Turcos (em Azov). Foi fixado em definitivo pela Teuto-russa Catarina II, A Grande, que fez um estrago chegando ao Mar do Japão. Era tão forte o expansionismo Russo que só ele pode deter o hiupérimperialismo nipônico que foi surrado pelas Rúsias e foi brigar na China e Indochina. Com o advento do Socialismo, esse expansionismo conheceu seu apogeu com a criação da União Soviética a qual anexou dezenas de nações eslavas e outras asiáticas e que nada tinham de eslavas: os "quistões". A Ucrânia entrou nessa, mas, desde cedo, já servia como celeiro da Rússia, tendo capitaneado os dois episódios de terra arrasada, queimando tudo o que seria comestível, nas eras napoleônicas e nazista. Kruschev, num enorme porre de vodka (situação vivida por 101% dos russos adultos), fez uma gracinha, em 1954, devolvendo a península da Criméia para a Ucrânia, mas uma Ucrânia anexada, sem perceber que ali estava Sebastopol, a maior base naval soviética, situada no Mar Negro. Com o esfacelamento da URSS e a trasnsição da glasnost de Gorbachev a Yeltsin, obviamente que o imperialismo nunca morreu na alma russa, notadamente quando Mr. KGB assumiu um poder só comparável aos tzares e dirigentes soviéticos. Putin nunca engoliu a localização estratégica da Ucrânia, como um punhal fincado no coração de acesso a Moscou, notadamente depois que essa República pasou a convulcionar-se, desde os anos 90, com golpes e envenenamentos de Chefes de Estado que pelo menos não eram hostís a Moscou. A Ucrânia, detentora das maiores reservas de gas natural, ferro e alimentos (trigo e batata principalmente) de toda a Europa, passou a ser óbvio risco à liberdade de movimento de Putin e sua política pendular de atração dos vizinhos. Nada melhos do que usar a Criméia para ter o pretexto de retomar aquilo tudo. A Criméia e formada por 60% de russos PUROS, 27% de ucranianos eslavos (misturados) e 13% de tártaros crimeianos (nômades desde Kublai Khan), sempre se sentiu russa. O plebiscito não precisaria de tropas russas para ter um resultado favorável de 97% pois os crimeianos são russos. Ponto e fato! As tropas vêm garantir que a Europa e os Estados Unidos não venham se meter em Sebastopol, notadamente. Com manobras de miulhares de soldados, tanques e aviões ao longo de sua fronteira, a Ucrânia me parece inerme diante da influência Putiniana e tudo é uma questão de tempo. Logo, o expansionismo é um fato! A posição estratégica da Ucrânia, com seus imensos recursos naturais é um fato! A anexação da Criméia é um fato! Resta saber quanto tempo a Ucrânia resistirá à pressão da Rússia até sucumbir via parlamentos comprados e plebiscitos sob baioneta. Uma coisa é certa: Europa e USA ficarão berrando pela inoperante ONU, porque ninguém tem colhões para enfrentar o portentoso arsenal ruso, o maior individualmente considerando, do mundo. Termino dando um pequeno exemplo: o pequeno Uruguai (nossa Criméia no sonho ou pesadelo) seria formado por 60% de brasileiros, lá há mais de um século e meio de aculturação e miscigenação, 27% de argentinos e 13% de uruguaios natos. O Brasil imperialista vai lá e domina estratgicamente a República Oriental e realiza um plebiscito pra saber que nacionalidade os "uruguaios" gostariam de ter. Quem ganharia? Simples assim!

sábado, 15 de março de 2014

NAPOLEÃO: UM GÊNIO DE QUASE TUDO!

 Napoleão Bonaparte foi um gênio da humanidade e isto é inquestionável. Num tempo em que as guerras eram envoltas em uma estúpida aura de romantismo, ele introduziu inúmeras novidades , notadamente no campo da estratégia. Enquanto os principais exércitos do final do século XVIII e início do XIX, moviam-se, em marcha quase forçada, a quatro quilômetros por hora, Napoleão movia os seus a IMPENSÁVEIS sete quilômetros por hora, fazendo com que os estrategistas ingleses, austríacos, alemães (prussianos), belgas e italianos sempre calculassem mal onde estaria sua infantaria, artilharia, cavalaria e o importante apoio logístico em batalha, com a reposição de materiais imediata. Demoraram muito a perceber isso. O Imperador tinhas uma invulgar capacidade de delegar atribuições e cobrar resultados. Dividiu seus exércitos em cinco corpos TREINADOS EM TUDO (podiam substituir qualquer outra força em dificuldade), entregando seus comandos a os que chamava de Marechais de França, jovens e muito bem treinados: Cambonne, Grouchy, Ponsonby, Bernadotte e o mais famoso e mais jovem, Michel Ney, com 29 anos. Mantinham cursos abertos de atualização em estratégia e, quando entravam em batalha, todos sabiam exatamente o quê fazer dadas os ensaios exaustivos e o repasse de ordens. Assim, Napoleção conseguia anular a vantagem quantitativa de sempre enfrentar exércitos bem mais numerosos. Outra condição importantísima era seu carisma o qual ele sabia excepcionalmente conduzir para atingir resultados práticos. Na noite de véspera de cada batalha, pedia o nome e a localização de cerca de vinte soldados mais rasteiros e os visitava na própria barraca de campanha, invariavelmente levando vinho e broa para uma conversa de dez minutos. Imagine o quê faziam, pela França, aqueles homens assim turbinados. A derrota da batalha final de Waterloo claro que se deveu a inúeros fatores mas o principal foi que Napoleão inaugurou uma tática nova e que parece não ter sido bem entendida pelos Marechais que, por adoração ao ídolo, não pediram detalhes. A novidade consistiu em manter um corpo de 24 mil homens, sobre o comando de Ney, na retaguarda do campo da batalha geral mas sem envolver-se em escaramuças. Ney passou o dia inteiro deslocando-se de campo a campo sem se envolver com uma reserva portentosa daquela. Quando, já ao final da tarde, foi mandado entrar no conflito, tomou posições fundamentais ao inimigo e praticamente garantiria a mais fantástica vitória do Imperador se não tivesse cometido um erro fatal: no fragor do canhonaço, fumaça para todo o lado, divisou grande parte do exército de Wellington, atacado no centro por bombardeio incessante de 72 grandes peças de artilharia, RECUANDO e assim decidiu, conforme a ética da guerra na época, não dar uma carga final de seus hussardos (cavalarianos) enquanto Wellington estava na verdade desesperadamente contra atacando e surpreendendo Ney. Napoleão também se notabilizou como grande estadista e reformador, daí a introdução da mais portentosa legislação que foi o Código de Napoleão. Megalômano e brutal, notadamente com suas esposas e inimigos, morreu só em Santa Helena um ponto perdido no meio do Atlântico Sul, longe da glória que tanto preservava. Simples assim!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

OS U.S.A. E A MÚSICA BRASILEIRA: UM PAPO REAL - PARTE III

PARTE III - EXISTE UM NÓS NESSA HISTÓRIA?
Encerrando a trilogia sobre assunto que me fascina há anos, tento descortinar o panorama atual sobre o momento da música brasileira nos States. Já falei sobre o engodo de shows de Dia do Brasil, mostrados pela Rede Globo com multidões de brasileiros, nunca de americanos. Será que hoje temos uma penetração de nossa música perante o grande público norte-americano? Se nos referirmos ao público jovem e aos amantes do rock em geral, acho que nunca ouviram falar do Brasil e nem sabem, olhando o Mapa Mundi, onde fica a América Latina. Contudo, se expandirmos nosso campo aos amantes do jazz, música latina em geral e remanescentes da Bossa-Nova e outros artistas que ganharam especial notoriedade até nos circuitos eruditos, principalmente se estamos falando de Jobim, Eumir Deodato, Milton Nascimento, Ivan Lins e Caetano Veloso, tende a haver luz no fim do tunel. As grandes escolas norte-americanas de música, como Berkley, Boston e muitas em Nova Iorque, possuem disciplinas específicas sobre o fenômeno musical brasileiro, especialmente a capacidade que tem o Brasil de, há décadas, possuir, dentro da sua pauta de exportações, um item sempre em alta, corporificado em sua cultura e cultura musical. Se você examinar essa produção massificada de cultura brasileira extra-muros, ela não só atinge o mercado norte-americano mas, principalmente, o japonês e europeu. A presença de grandes músicos brasileiros, que se mudaram para lá ou ainda têm o seu domicílio aqui, como Dori Caymmi, Edu Lobo, o próprio Sérgio Mendes (com seu recente casamento de muito sucesso com a música techno) e Menescal têm um mercado muito grande por lá, não só em bares alternativos, musicais, filmes e desenhos animados, mas o fonográfico especificamente. A presença do grande baixista brasileiro Luizão Maia (da banda de Cesar Camargo Mariano que sempre acompanhou Elis, incluindo aí também o guitarrista Natham Marques) se faz real como ídolo de grandes baixistas de bandas de sucesso no mercado norte-americano. Clint e seu filho Kile Eastwood são ligados umbilicalmente ao violonista Laurindo de Almeida (da segunda leva), que executa o Claudia's Theme do fabuloso Os Imperdoáveis (de autoria de Clint) como também participa da execução do tema musical de Gran Torino, composto por Kile. Maia Rita tem um público fiel no circuito off-Boroadway, em muitos barzinhos onde é muito requisitada. Há um grande movimento, em muitas High Scholl americanas, especialmente as novaiorquinas, para incluir o samba, especialmente os ritmos mais ligados ao samba e toda a sua entourage instrumental, nos curricula escolares em música. Especialmente na Escola Frederick Douglass onde cerca de 40 alunos formaram uma bateria de escola de samba que se apresenta no circuito comercial. Madaleine Perroux mantém jam sessions de jazz e Bossa-Nova que trazem dezenas de artistas de lá. A canadense Diana Krall tem, como percussionista de sua banda permanente, o brasileiro Paulinho Dacosta a quem já nos referimos em outra parte, mantendo-se fiel à colocação de, pelo menos, um suceso brasileiro em seus albuns. Burt Bachrach, com mais de 80 anos, compôs seus grandes sucessos, junto com a orquestra Tijuana Brass, de Herb Alpert, no ritmo da Bossa-Nova. Vem todos os anos se reciclar no Brasil. Em suma, parece evidente que existe uma maior penetração da música popular brasileira, em partes específicas do grande público Norte-Americano, contudo, no fundo, para a grande massa, o Brasil e suas coisas, notadamente culturais, prossegue sendo um gigante exótico que tangencia a realidade americana. Simples assim!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

OS U.S.A. E A MÚSICA BRASILEIRA: UM PAPO REAL (Numa Trilogia)!

PARTE II - OS BRASILEIROS
A ida da música brasileira para os Estados Unidos se deu em levas, vagas. A primeira grande onda dessas foi Carmem Miranda, nos anos 30, e o Bando da Lua, espécie de regional que a acompanhava. Carmem também tinha uma grande entouage em sua volta, que incluía também sua irmã mais nova Aurora Miranda. Carmem, muito mais do que se fala e pensa, foi a artista brasileira (apesar de nascida em Portugal) de maior sucesso em toda a história desse casamento. Conhecida como Brazilian Bombshell, Carmem se transformou em astro de primeira grandeza em Hollywood, conseguindo papéis importantes e até protagonismos em filmes nos quais ela era a principal atração. Claro que os americanos estilizaram-na como ela poderia ser vendida com êxito: uma cucaracha ridícula, que sambava com as mãos e com um chapéu cheio de frutas tropicais onde se destacavam, claramente, as bananas. Evidente que, para você entender essa questão Carmem Miranda tem que saber que, para todo o americano médio, pelo menos até os anos 60-80, tudo o que se movia ao sul do Rio Grande, era nada mais que uma barata e sua qualidade era vista como exotismo. Carmem abriu o caminho, já pelo final dos anos 40 e início dos 50, para a ida de excelentes instrumentistas como os violonistas Bola Sete e Laurindo de Almeida, muto requisitados até antes de suas mortes. Essa segunda vaga consolidou-se com a ida dos astros do filme Orfeu Negro, de um poema musicado de Vinícius de Moraes, com a atriz-cantora negra americana Marpessa Dawn (belíssima), no papel de Eurídice, e Breno Silveira (belíssimo também), como Orfeu. O diretor era o francês Marcel Camous e, na verdade, foi o lançamento de um novo Brasil (1954), onde internalizou-se a idéia de que o Brasil poderia produzir algo de qualidade além de futebol, café, mulatas e carnaval. O texto de Vinícius e a música de Tom Jobin, cenários de Oscar Nyemeyer, foram muito bem recebidos nos círculos culturais dos Estados Unidos. Foi o primeiro encontro de músicos, cantores e produtores americanos com o samba de raiz, os alvores da bossa-nova e grandes intérpretes, músicos e a música de Jobin. Essa segunda leva se encerra com a ida de Luis Bonfá, com sua magnífica Manhã de Carnaval que se transforma no maior sucesso internacional pela Billboard e Cashbox, revistas norte-americanas especializadas em vendagem de discos e pesquisas de sucessos. Sua mulher e que interpretara a música, Maria Elena Toledo, é divinizada mesmo. Ainda há menções que dizem que Manhã de Carnaval teria se ombreado â Garota de Ipanema como tendo caido no gosto americano. Isso abriu a terceira leva, talvez a mais importante de todas, que foi a Bossa-Nova. Desde o show do Carnegie Hall, em 21 de novembro de 1962, os grandes músicos americanos do jazz ou das grandes orquestras, além do circuito alternativo, começou, na realidade, a grande invasão brasileira nos Estados Unidos. Capitaneados por Tom e João Gilberto, com a batida de violão que introduziu uma sincopada de jazz no samba, também apareceram Carlinhos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Oscar Castro Neves, Sérgio Mendes (e o conjunto Bossa Jazz) e, tão importante quanto, os maravilhosos ritmistas brasileiros. Sérgio Mendes, já na vaga dos que fugiram da ditaduras junto com Oscar Castro Neves, teve a grande sacada de trazer duas cantoras americanas (Lany Hall e Karen Phillip) para cantar os sucessos de Burt Bucharach, em inglês, e Jorge Ben, em péssimo português, mas colou. Nesse momento, arranjadores internacionais como o teuto-americano Klaus Ogermann, o argentino-americano Lallo Schifrin e Quincy Jones já estavam extasiados pela capacidade do músico brasileiro em produzir uma música dentro de um ritmo que ninguém conseguia imitar. Isso levou a grandes músicos e intépretes americanos a usar arranjos e gravar sucessos da música, principalmente, de Tom Jobim. Stan Getz, Sinatra, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, George Benson, Tonny Bennett, Pat Houston e dezenas de outros de grande valor artístico e popular, abrem realmente as portas de um público RESTRITO a bolsões do gosto americano, para grandes músicos brasileiros, ocasionando fatos como: Eumir Deodato, com a gravação bossa-novista de Also Sprach Zaratustra, vende CINCO MILHÕES de albuns, sob a batuta do grande produtor Creed Taylor que abriria portas a muitos outros. Os fenômenos ritmistas como Dom Um Romão, Airto Moreira ( e sua mulher, por ele transformada na cantora Flora Purin), Dom Salvador, Paulinho Dacosta mudam para lá e são escolhidos por 11 em cada 10 discos de feras do jazz. Flora, instigada por Airto, passa a usar sua voz como se fosse um instrumento e cria uma nova saída para as intérpretes de jaz, ganhando, pela Billboard, o título de melhor cantora de jazz DO MUNDO, não só dos Estados Unidos, seguidamente, de 1974 a 77, e isto é algo muito sério.Milton Nascimento, Ivan Lins, Roberto Carlos, Leny Andrade e dezenas de sucessos brasileiros passam a gravar em Los Angeles e New York, atrás da qualidade superior dos equipamentos deles. Amanhã, se Deus quiser, vamos ver o panorama de hoje e se há realmente uma influência brasileira na maravilhosa e criativa música americana, sempre o rock de fora.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

OS U.S.A. E A MÚSICA BRASILEIRA: UM PAPO REAL (Numa Trilogia)!

PARTE I - ELES
Às vezes flagro papos muito suspeitos sobre o "sucesso" de músicos brasileiros globais que vão preencher os Brazilian Days inventados pela Rede Globo, notoriamente com uma platéia 101% de migrantes brasileiros não nos Estados Unidos, mas em New Yor City, uma megalópole internacional que nada tem a ver com o american way of life. Em outros casos, detentores de "sucesso internacional" explodem plateias também de migrantes, adicionadas de cubanos, chicanos, portorriquenhos em Miami. Sempre vejo a verdadeira nata do  americano nato, o americano médio, bem longe disso tudo. Claro que eles têm lá um mix de altísima qualidade, que assim acho que posso analisar: uma sólida origem branca, manifestada na música irlandesa que os cowboys cantavam nos filmes e da qual derivaram o country e, mais miscigenado, o rock inglês, hoje a manifestação musical mais internacionalizada e de maior sucesso em todo o mundo, expandindo para muito mais além do que o simples horizonte do público jovem, de onde ele explodiu. Uma outra fortíssima base na cultura africana, nos cânticos das lavouras do sul, da qual manifestações eternas viriam eclodir. A música soul (e sua vertente no spiritual), o blues e, já numa miscigenação ARTÍSTICA (não sociológica, antropológica ou política pois o racismo branco era muito mais arraigado lá que cá e o negro visto como uma peça exótica mas EXTERNA. Diferente do Brasil português que miscigenava MESMO), o rock como evolução "normal" do swing e boogie-woogie; além de, last but not least, as duas facetas do fantástico jazz (o jazz "puro" negro, improvisado, cantado e tocado), e o jazz misturado à influência franco-europeia, chamado dixie, cujo maior museu vivo e ativo prossegue sendo New Orleans. Finalmente, a música nascida nos guetos latino-americanos que poderiam incluir: a conga, o mambo e a rumba, vindos da Cuba "libre", o maxixe e o samba, não brasileiros, mas de Carmem Miranda e o calypso caribeano. Esse é o pano-de-fundo para darmosinício a este trabalho que ainda comportará duas partes: OS BRASILEIROS e, finalmente, NÓS JUNTOS EXISTE?
Desse fantástico panorama, evidentemente a música norte-americana lato sensu, assim como o músico de lá, formariam uma casta de qualidade quase inigualável. Certo que eles contaram e contam com um portentoso instrumento de marketing que é Hollywood, para exportar esse produto, que já tinha e tem muita qualidade intrínseca, para todos os cantos da aldeia global. A música dos grandes musicais é eterna. Os cantores, cantoras, arranjadores e compositores, de todas essas orígens, além de fazerem coisas belas possuem um padrão de qualidade superior que lhes é permitido pela força do dolar e da onipresença da economia americana no mundo (e que gera essa ubiquidade de dupla entrada: de lá para o mundo e do mundo para lá). Esse caminho de volta é o que me interessa trilhar, apesar deste trabalho em três partes ser produto, UNICAMENTE, do que guardo na minha memória, sem nenhuma pesquisa externa a qualquer outra fonte que não eu próprio. Isto dará ao resultado uma forte impregnação de meus gosto e de minha visão como passageiro dessa agonia. Sei que corro o risco de não ser lido. Não importa, pois ficará o registro eternizado em meu blog.
Como mote para a segunda parte que publicarei, sequentemente, amanhã (24 de fevereiro) e terça-feira (25 de fevereiro de 2014), é cuidar de limpar as arestas de uma possível visão eivada de envolvimento pessoal, é registrar que, como aqui, lá eles têm suas Ivetes, Cláudias Leitte, Bandas Calypso, Michel Teló e outras porcarias, corporificadas em Beyoncés, Rihanas e Justin Biebers da vida. A mim interessa verificar onde a alma brasileira conseguiu influenciar a música americana de qualidade  com forte penetração no grande público, não só nos guetos. Para ver isso me acompanhe amanhã.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Carta Aberta a meu Mestre André Costa nunes

Muitas vezes “acusado” de ser ateu e de introduzir a duvida a respeito de Deus, Albert Einstein elaborou e seguiu um pensamento religioso complexo e profundo, entendendo que a religião e a ciência eram complementares.

Gilberto Schoereder
Quando se pretende falar da relação entre Albert Einstein e a religião, é inevitável lembrar uma de suas frases mais famosas: “A ciência sem a religião é manca; a religião sem a ciência é cega”. Isso seria mais do que suficiente para se perceber que o cientista tinha uma relação especial com a religião. Alguns biógrafos de Einstein (1879-1955) chegaram a defender a noção de que essa relação ocorreu basicamente em sua infância, mas essa idéia já não é mais aceita. Uma das pesquisas mais profundas desse relacionamento entre ciência e religião na vida e obra de Einstein está no livro Einstein e a Religião, de Max Jammer, professor de Física e colega de Einstein em Princeton.

O interesse popular no cientista alemão se mantém, mesmo 50 anos após sua morte e num momento em que muitas de suas teorias vêm sendo questionadas. Einstein continua sendo uma das figuras mais conhecidas do planeta e, certamente, o nome que a maioria das pessoas imediatamente associa à ciência.

Jammer cita outra frase importante de Einstein, numa entrevista concedida ao escritor James Murphy e ao matemático John William Navin Sullivan (1886-1937), em 1930. “Todas as especulações mais refinadas no campo da ciência”, disse Einstein, “provêm de um profundo sentimento religioso; sem esse sentimento, elas seriam infrutíferas”.

Assim, percebe-se claramente a opinião do cientista de que a ciência e a religião eram complementares. No entanto, é preciso entender exatamente o que ele queria dizer com isso.

Os avôs e o pai de Albert eram judeus, mas ele não foi criado seguindo à risca as tradições judaicas. Segundo Jammer, tudo indica que seus pais não eram dogmáticos e sequer freqüentavam os serviços religiosos na sinagoga. Aos seis anos, ele entrou para uma escola pública católica, e teve aulas de religião – católica, bem entendido. Diz-se que só então seus pais resolveram lhe ensinar os princípios do judaísmo, para contrabalançar contrabalançar os ensinamentos católicos.



O SENTIMENTO RELIGIOSO SURGIU CEDO EM EINSTEIN, e ele chamou essa fase de sua infância de “paraíso religioso”, mas existem dúvidas quanto a como ele teria se desenvolvido. Quando os pais resolveram que ele devia conhecer o judaísmo, contrataram um parente distante para ensiná-lo e, segundo Maja, irmã de Albert, foi esse parente que despertou nele o sentimento religioso. Já Alexander Moszkowski, que escreveu a primeira biografia de Einstein, em 1920, afirmou, baseado em conversas pessoais com o cientista, que esse sentimento foi despertado após seu maior contato com a natureza, depois que a família se mudou de Ulm para Munique. O mesmo biógrafo também disse que a música desempenhou papel importante nesse sentimento religioso de Albert.

Apesar da biografia ter sido baseada em conversas pessoais, em 1949, o próprio Einstein escreveu, em Notas Autobiográficas, que sua religiosidade tinha se baseado tanto num sentimento de depressão e desespero quanto no reconhecimento da futilidade da rivalidade humana na luta pela vida. A religião trazia algum alívio, segundo ele disse, mas Jammer parece acreditar que essa idéia de Einstein foi formada posteriormente, uma projeção de suas idéias maduras para sua juventude.

Um fato importante ocorre aos 12 anos de idade, época em que deveria realizar o bar mitzvah, a confirmação judaica, que Einstein se recusou a realizar. Jammer entende que isso se deve à característica da personalidade de Einstein, de demonstrar independência com relação à autoridade e à tradição. Essas noções começaram a se desenvolver, ao que tudo indica, quando sua família recebeu um estudante judeu pobre, Max Talmud, dez anos mais velho do que Einstein. Os dois se tornaram grandes amigos, e foi através de Max que Einstein conheceu os textos a respeito de ciência, geometria, matemática, e a Crítica da Razão Pura, de Immanuel Kant.

Segundo o próprio cientista escreveu posteriormente, ele percebeu, através dos livros científicos, que muitas das histórias da Bíblia não podiam ser verdade e que os jovens são intencionalmente enganados pelo Estado com mentiras. “Dessa experiência”, ele escreveu em Notas Autobiográficas, “nasceu minha desconfiança de todo e qualquer tipo de autoridade, uma atitude cética para com as convicções que vicejavam em qualquer meio social especifico. Essa atitude nunca mais me abandonou, embora, mais tarde, graças a um discernimento melhor das ligações causais, tenha perdido parte de sua contundência original”.



ESSA POSTURA TAMBÉM SE EVIDENCIA NO FATO de que a primeira esposa de Einstein, Mileva Maric, pertencia à Igreja Ortodoxa grega. Os pais de ambos foram contrários ao casamento, mas eles não pareceram se importar com isso.

Max Jammer escreveu que toda essa situação poderia corroborar a tese de que a ciência e a religião são opostos irreconciliáveis, mas Einstein nunca concebeu essa relação como uma antítese, vendo os dois como complementares, como já ficou demonstrado nas frases citadas anteriormente.

O que aparentemente é uma contradição – uma vez que Einstein desaprovou a educação religiosa de seus filhos, considerando-a “contrária a todo o pensamento científico” – explica-se pelo entendimento correto de como Einstein usava os termos “religião” e “religioso”. Por exemplo, na expressão “ensino da religião”, ele via a instrução fornecida de acordo com a tradição de um credo; já na expressão “ciência sem religião”, o termo se referia ao sentimento de uma devoção inspirada, avessa aos dogmas. Em outras palavras, Einstein se referia ao sentimento religioso próprio da pessoa, sem intermediários, sem o poder da instituição e dos dogmas.

Jammer também levanta outra questão importante para se entender o pensamento de Einstein com relação à religião e Deus, e que está ligado à sua admiração pelo filósofo Baruch (posteriormente Benedictus) Espinosa (1632-1677), que negou a concepção judaico-cristã de um Deus pessoal, mas tinha a crença na existência de uma inteligência superior que se revela na harmonia e na beleza da natureza. Jammer explica que Einstein, como Espinosa, “negava a existência de um Deus pessoal, construído com base no ideal de um super-homem, como diríamos hoje”.

Numa oportunidade em que lhe pediram para definir Deus, Einstein disse: “Não sou ateu, e não creio que possa me chamar panteísta. Estamos na situação de uma criancinha que entra em uma imensa biblioteca, repleta de livros em muitas línguas. A criança sabe que alguém deve ter escrito aqueles livros, mas não sabe como. Não compreende as línguas em que foram escritos. Tem uma pálida suspeita de que a disposição dos livros obedece a uma ordem misteriosa, mas não sabe qual ela é. Essa, ao que me parece, é a atitude até mesmo do mais inteligente dos seres humanos diante de Deus. Vemos o Universo, maravilhosamente disposto e obedecendo a certas leis, mas temos apenas uma pálida compreensão delas. Nossa mente limitada capta a força misteriosa que move as constelações. Sou fascinado pelo panteísmo de Espinosa, mas admiro ainda mais sua contribuição para o pensamento moderno, por ele ter sido o primeiro filósofo a lidar com a alma e o corpo como uma coisa só, e não como duas coisas separadas”.



MAIS OU MENOS NA MESMA ÉPOCA em que falava sobre sua crença em Deus, Einstein também era acusado de ser um ateu, especialmente numa discussão provocada pelo cardeal O’Connell, arcebispo de Boston, ao advertir os membros do Clube Católico Americano da Nova Inglaterra a não lerem nada sobre a Teoria da Relatividade, uma vez que ela era “uma especulação confusa, que produz a dúvida universal sobre Deus e Sua criação (...) e encobre a assustadora aparição do ateísmo”.

O rabino Herbert S. Goldstein, da Sinagoga Institucional de Nova York, reagiu enviando um telegrama a Einstein pedindo que ele respondesse à simples pergunta: “O senhor acredita em Deus?” A resposta foi: “Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na harmonia ordeira daquilo que existe, e não num Deus que se interesse pelo destino e pelos atos dos seres humanos”. Em última análise, pode se dizer que é uma resposta e um ponto de vista que se aproxima bastante de muitas posturas religiosas ou espiritualistas da chamada Nova Era, com um abandono do Deus pessoal.

Max Jammer alerta para o fato de que Einstein sempre estabeleceu uma distinção nítida entre sua descrença num Deus pessoal, de um lado, e o ateísmo, de outro. Num texto em que comentava um livro que negava a existência de Deus, Einstein disse: “Nós, seguidores de Espinosa, vemos nosso Deus na maravilhosa ordem e submissão às leis de tudo o que existe, e também na alma disso, tal como se revela nos seres humanos e nos animais. Saber se a crença em um Deus pessoal deve ser contestada é outra questão. Freud endossou essa visão em seu livro mais recente. Pessoalmente, eu nunca empreenderia tal tarefa, pois essa crença me parece preferível à falta de qualquer visão transcendental da vida. Pergunto-me se algum dia se poderá entregar à maioria da humanidade, com sucesso, um meio mais sublime de satisfazer suas necessidades metafísicas”.

Fica mais do que claro que Einstein não era e nem tinha qualquer apreço pelo ateísmo. Como Jammer destaca, ele não questionava a utilidade da educação religiosa, mas se opunha a ela – como no caso de seus filhos – “quando desconfiava que o principal objetivo era ensinar cerimônias religiosas ou ritos formais, em vez de desenvolver valores éticos”.



O PRIMEIRO ENSAIO DE EINSTEIN A RESPEITO DA RELAÇÃO ENTRE CIÊNCIA E RELIGIÃO data do final de 1930, ainda que se diga que seu interesse no assunto já vinha da década de 20. Sua postura contra todo tipo de dogmatismo religioso pode ser verificada mais uma vez na sua recusa em utilizar o termo “teologia”, entendendo que sua abordagem da religião diferia muito da dos teólogos profissionais, especialmente daqueles para quem “a teologia é detentora da verdade e a filosofia está em busca da verdade”.

A maioria de seus textos sobre religião surgiram no período entre 1930 e 1941, e diz Jammer que seu interesse em escrever sobre o tema cresceu devido a duas entrevistas. A primeira, no início de 1930, dada a J. Murphy e J.W.N. Sullivan, já citada no início da matéria. A segunda entrevista foi com o poeta e filósofo místico hindu Rabindranath Tagore (1861-1941), Prêmio Nobel de Literatura em 1913.

Aparentemente, Einstein ficou um pouco decepcionado com a conversa com Tagore, e resolveu escrever o ensaio chamado Aquilo em que Acredito, que despertou a ira dos nazistas. Um dos trechos diz: “A mais bela experiência que podemos ter é a do mistério. Ele é a emoção fundamental que se acha no berço da verdadeira arte e da verdadeira ciência. Quem não sabe disso e já não consegue surpreender-se, já não sabe maravilhar-se, está praticamente morto e tem os olhos embotados. Foi a experiência do mistério – ainda que mesclada com a do medo – que gerou a religião. Saber da existência de algo em que não podemos penetra, perceber uma razão mais profunda e a mais radiante beleza, que só nos são acessíveis à mente em suas formas mais primitivas, esse saber e essa emoção constituem a verdadeira religiosidade; nesse sentido, e apenas nele, sou um homem profundamente religioso. Não consigo conceber um Deus que premie e castigue suas criaturas, ou que tenha uma vontade semelhante à que experimentamos em nós”.



QUANDO ESCREVEU O ENSAIO RELIGIÃO E CIÊNCIA para a New York Times Magazine, em 1930, Einstein elaborou a idéia de três estágios do desenvolvimento da religião. O primeiro estágio, ele chamou de “religião do medo”. Pensando em quais teriam sido as necessidades e os sentimentos que levaram ao pensamento e à fé religiosa, entendeu que, para o homem primitivo foi, antes de tudo, o medo, seja da fome, dos animais, das doenças ou da morte. A mente humana, disse, criou seres imaginários de cuja vontade dependiam a vida ou a morte do indivíduo e da sociedade. E, para aplacar esses seres, os humanos lhes ofereciam súplicas e sacrifícios, formas primitivas de oração e rituais religiosos.

Ele não aceitava a idéia da religião se originando pela revelação, segundo a qual Deus dá a conhecer Sua realidade aos homens; isso exclui a aparição a Moisés e acontecimentos como o nascimento, vida e morte de Jesus Cristo, ou ainda as palavras de um anjo, como diz o Alcorão. Jammer diz ainda que a idéia da religião surgindo do medo não é de Einstein, ainda que provavelmente ele não tenha lido os autores que falaram disso antes dele.

O segundo estágio, ele escreveu, foi a “concepção social ou moral de Deus”, decorrente do “desejo de orientação, amor e apoio”. É o Deus que premia e castiga, ao qual ele já havia se referido anteriormente. Einstein via no Antigo e no Novo Testamentos uma ilustração admirável dessa transição de uma religião do medo para a religião da moral, ainda ligada a uma concepção antropomórfica de Deus.

O terceiro estágio Einstein chamou de “sentimento religioso cósmico” e, segundo explicou, é um conceito muito difícil de elucidar para as pessoas que não têm esse sentimento, uma vez que ele não comporta qualquer concepção antropomórfica de Deus. Ele disse que “os gênios religiosos de todas as épocas distinguiram-se por esse tipo de sentimento religioso, que não conhece nenhum dogma e nenhum Deus concebido à imagem do homem; não pode haver uma Igreja cujos ensinamentos centrais se baseiem nele. Assim, é entre os hereges de todas as eras que vamos encontrar homens que estiveram repletos desse tipo mais elevado de sentimento religioso, e que, em muito casos, forma encarados por seus contemporâneos ora como ateus, ora como santos. Vistos por esse prisma, homens como Demócrito, Francisco de Assis e Espinosa assemelham-se muito”.



APESAR DE TANTAS DEMONSTRAÇÕES DE QUE NÃO ERA ATEU, mas que via a religiosidade de uma forma particular, até recentemente Einstein era citado como um ateu. Numa conversa como príncipe Hubertus de Löwenstein, disse que o que realmente o aborrecia era que as pessoas que não acreditam em Deus viviam citando-o para corroborar suas idéias. Jammer cita um livro popular sobre a vida do cientista, publicado em 1998, em que surge a frase “ele (Einstein) foi ateu a vida inteira”, apesar de uma citação de Einstein no mesmo livro contradizer essa afirmação: “O Divino se revela no mundo físico”.

O maior problema parece ser mesmo a dificuldade das demais religiões em aceitar uma religião na qual as instituições e os dogmas perdem os sentido. Elas não aceitam essa situação, como não podem aceitar um homem que diz que “se você ora a Deus e Lhe pede algum beneficio, não é um homem religioso”.

Einstein não desrespeitava as religiões estabelecidas, mas apenas não concordava com elas. Jammer diz que ele venerava os fundadores das grandes religiões, e isso pode ser visto numa mensagem que enviou à Conferencia Nacional de Cristãos e Judeus, em 1947. “Se os fieis das religiões atuais”, escreveu Einstein, “tentassem sinceramente pensar e agir segundo o espírito dos fundadores dessas religiões, não existiria nenhuma hostilidade de base religiosa entre os seguidores dos diferentes credos. Até os conflitos no âmbito da religião seriam denunciados como insignificantes”.

Hoje em dia, muitos religiosos dizem exatamente isso, tendo em vista a situação explosiva em que p mundo se encontra, em grande parte devido a conflitos religiosos. Na religião de Einstein, os conflitos seriam impossíveis de existir.

(Extraído da revista Sexto Sentido 52, páginas 24-30)
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